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  • Ana Luiza de Lima

Vanguardas: Expressionismo Alemão

Atualizado: Abr 26

A transição do século XIX para XX veio carregada de inúmeras transformações políticas, sociais e culturais como previamente discutidas. A burguesia vive um período áureo de grande ostentação econômica e influência política. Em linhas gerais o movimento vigente era denominado modernista, mas como entendemos, os movimentos artísticos não ocorrem em linearidade, especialmente quando se trata das vanguardas.


O progresso tecnológico que avançava sobre o campo das artes, e obviamente capturava com maior definição e objetividade a realidade, sobretudo com o uso da fotografia e do cinema, traz um questionamento relativo ao papel do artista frente a sociedade. A mimeses deixa de fazer sentido, uma vez que as novas técnicas simplificaram o processo, ao mesmo tempo, as novas teorias científicas como a teoria da relatividade de Einstein, a psicanálise de Freud ou a subjetividade do tempo proposta por Bergson, trazem novos olhares sobre a noção de realidade, trazendo elementos para que permitiam o questionamento sobre as fronteiras da objetividade. Os movimentos de vanguarda são resultado dessa busca por novas linguagens que possibilitam a reprodução desse novo relacionamento entre o artista e sua visão de mundo.


Dessa forma, concomitantemente ao processo que ocorria na França no início do século XX, o Fauvismo, na Alemanha tínhamos um desenvolvimento ligeiramente destoante do Fauve, o Expressionismo Alemão. O movimento que surgiu em meio aos estudantes de arquitetura baseia-se num resgate, ou melhor, quase que numa apresentação, de figuras drasticamente mais duras e incisivas que as analisadas no fauvismo.

O grupo, denominado ‘A Ponte’, atuou em Dresden aproximadamente entre 1905 e 1910, as artistas participantes fazem uso de imagens distorcidas que buscam não apenas chamar atenção para a nova linguagem mas para a própria distorção da realidade que resultava nesta nova linguagem.


Os franceses traziam a necessidade de renovação a consequentemente causaram provocações, numa linha diretamente contrária os alemães queriam provocar e acabaram por produzir uma nova linguagem.


No processo de crítica proposto pelos artistas d’A Ponte, eles se valem de uma técnica muito específica, e é aqui que eles retomam a produção xilográfica, que traz em seu cerne um conceito que contrapõe diretamente o conceito de ‘modernidade’, por ser um modo primitivo de produção em massa, por ter como base um set carvado trabalhosamente em madeira – material que carrega em si o conceito de rusticidade e primitivismo e automaticamente transfere este para a obra, por trazer contrastes de luz e sombra que remetem ao contraste entre novo e antigo, por se valer de um método que remete a produção medieval alemã, tendo então também um caráter nacionalista.

Com a junção desses conceitos controversos, a xilogravura representa uma grande ruptura na produção artística, que traz questionamentos sobre o envolvimento do homem com a natureza, o que é um primórdio do que observaremos desenvolver no início de 1920, o movimento denominado Naturalismo.


O entendimento da plástica do expressionismo vêm então a partir do saber que a deformação da realidade é necessária afim de traduzir de subjetivamente a natureza e o ser humano, dando preferência à expressão de sentimentos provocadas pelo confronto com a realidade do que a simples retratação objetiva da realidade.

Através de uma paleta cromática vincada e agressiva e do recurso às temáticas da solidão e da miséria, o expressionismo é um reflexo da angústia e ansiedade que dominavam os círculos artísticos da Alemanha durante os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

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