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  • Ana Luiza de Lima

Vanguardas: Cubismo I

Atualizado: Abr 26


Através de uma análise mais próxima é possível traçar uma linha de derivação das produções de Braque que tem origem no Fauve, para fazer essa relação consideramos a continuação da preocupação em manter a pintura como uma realidade em si mesma (e não apenas uma representação da realidade), a utilização da cor como fator de formação da ‘forma’,  como se vê abaixo).

Still life with jugs and pipes (1906)


Braque, no entanto, passa a recuperar o uso de linhas e consequentemente contornos, trazendo de volta às pinturas formas definidas, como em Paisagem da Cidade (1907), e caminha para um enrijecimento dessa definição a partir das suas reproduções das obras de Cézanne, considerando as mudanças citadas, aqui é historicamente onde podemos pontuar o ‘nascimento’ do Cubismo.

Paralelamente ao estudo de Braque, vemos um desenvolvimento da produção artística de Picasso, que apresenta uma raiz na arte africana, bem como uma clara referência às representações egípcias, que é o que pode-se ver com clareza em Demoiselles D’Avignon (1907).

Les Demoiselles d’Avignon (1907)


O posicionamento dos corpos entrega bem como as cores e formas passam a transformar o entendimento da realidade, a referência no desenho das esculturas e máscaras africanas, que apresentam traçados mais rústicos e rígidos, e uma certa infantilidade no traçado, a junção desses elementos revelam um reverenciamento ao primitivismo.

A união do que pode ser considerado o ponto máximo da beleza: o nu feminino, à estranheza ou o grotesco, vem como uma grande ruptura com tudo que havia sido representado até então. Aqui há um processo distinto da simplificação da reprodução no que se refere a à forma.

Quando Picasso apresenta seu trabalho para Braque tem-se início de um dos diálogos mais brutais da história da arte, a conversa dos artistas resulta na produção de inúmeras obras e consequentemente no desenvolvimento do movimento cubista. Aqui identifica-se o que chamamos de Cubismo Analítico

Através da obra de Braque é possível ver que o processo de libertação da cor se estrutura ao passo que ele o contém através da reinserção de linhas e formas definidas, dexando assim de lado a experiência subjetiva e sensível trazida pela cor, de certa forma, dando lugar a um raciocínio mais analítico e claro, que se revela através da forma.

Aqui se vê a união da subjetividade do Impressionismo mesclar com a racionalidade da pintura europeia, esse processo, observado desde a produção de Cézanne, se consolida em Braque. A cor então passa a ser contida por esses limites e é gradualmente transformada em planos.

Paul Cézanne‘s Les Grandes Baigneuses (1906)


Paul Cezanne, “La Montagne Sainte-Victoire,” 1885-1895; e Georges Braque, “Viaduct at L’Estaque,”1908.


Ao colocar lado a lado os trabalhos de Picasso e Braque é possível traçar paralelos claros no tocante da representação de sólidos geométricos (ou o corpo), reduzindo-os a formas em uma tridimensionalidade, considerando Picasso, enquanto Braque faz uma planificação da realidade, eliminando o aspecto da tridimensionalidade. 


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