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  • Ana Luiza de Lima

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Atualizado: Abr 26

Uma equação cientificamente desequilibrada nutre o que acontece dentro da minha cabeça diariamente, parte dela é resultado de um grande esforço diário que preciso construir durante o percurso, e isso se resume em ‘sobre como eu vou lidar com o que acontece’ naquele dia.


A outra parte, que eu diria que é a maior, é a que me determina. As pessoas são feitas não apenas de força de vontade, o olhar que lançamos ao mundo vem de uma predisposição intrínseca, que é coordenada pelo balanço químico que rege nossos corpos e mentes, é desnecessário dizer que essa composição vez ou outra vem desbalanceada, a genética não obedece às leis da boa vontade e nem da boa fé, ela atua quase que matematicamente e predetermina uma série de fatores com os quais devemos lidar durante toda uma existência, desde fatores físicos, químicos, por ventura psicológicos e assim somos. A vida é uma grande fase de adaptação das imposições naturais ou deveria ser, mas atingimos um ponto de avanço científico que nos permite funcionar melhor com o que temos e até alcançar aquilo que gostaríamos, em termos médicos hoje temos um grande controle do que acontece conosco e isso nos ajuda a melhorar em diversos aspectos da vida.

A minha memória não data de muito atrás, apesar de ser jovem tenho a impressão de lidar mais com o que as pessoas me contam sobre o que aconteceu do que com o que eu realmente me lembro, poucas coisas passam meu crivo de importância e perecem na minha cabeça, a maioria delas se perde numa velocidade que me assusta, mas isso é algo que eu não questiono, acontece e é isso.

Uma das coisas que considero crucial na minha jornada-vida é algo que me lembro desde que consigo me lembrar de algo, não digo de criança, porque dessa época eu não me recordo de nada além do que vejo nas fotos, mas lá pelos 12 anos quando tive uma das minhas primeiras experiências de auto entendimento ou percepção, que hoje é como se eu olhasse para mim mesma através de uma câmera. Desde então eu sinto que algo me acompanha, e sempre foi algo me deixou estranhamente confortável em não estar bem. É como viver com alguém que você não gosta mas ainda assim se acostumar com essa pessoa, em determinado momento ela pode até te fazer falta. Pois bem, essa coisa, presença, estranheza ou chamebemcomoquiser, me parecia sempre uma revolta adolescente que passaria, mal sabia eu que anos depois estaria sentada aqui, olhando para ela – em um sentido totalmente figurado mas absurdamente absoluto – como que num espelho. Lidar com a ‘tristeza’ sempre pareceu uma válvula de escape para não poder compreender realmente o que a vida é sobre. E lidar com esse sentimento é também um fardo constante, já que ela para muitas pessoas, não é real, é só o modo como eu estou olhando as coisas. É difícil ser confrontado diariamente por pessoas com dores ‘maiores’, físicas ou psicológicas, e até mesmo que não estão sob angústias mas que não compreendem o sentimento constante de tentar não estar assim. E como é estar assim? Não existe uma definição para tal, essa parte de mim, que é tão intrínseca que não me permite distinguir ou separar eu-dela. É como uma parte externa que fosse fagocitada, que fez com que eu me tornasse tão codependete que não consigo  me dissociar da mesma. Existe uma diferença porém em sentir-se constantemente assim, e saber que se sente. Pessoalmente eu tenho uma escolha de olhar sobre a vida de forma muito positiva, eu vejo que as dificuldades vem e vão, e falo de dificuldades palpáveis, eu as tenho, mas eu as vejo como obstáculos de crescimento, e não como condenações.


#empty #void #desabafo #vazio #sombra #sentimentos

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