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  • Ana Luiza de Lima

"Eu não vou falar sobre política em redes sociais”

Ontem foi mais um dia que fiquei pensando na dualidade de lidar com a inconsistência do mundo e a bolha que vivo, esse pensamento me dá raiva, constantemente.


Nós falamos há tempos de reconhecer privilégios mas me parece que essa conversa só funciona como muleta para o famoso empreendedorismo de palco de quem atua nos círculos sociais descoladinhos: os famosos inovadores. 


O que conta aqui é dar um like aqui ou ali, dizer que convidou um preto pra dar uma palestra, mas na hora de se posicionar contra o que estamos observando crescer, e sim, só observando do seu humilde escritório em casa com 3 telas, sem falar UM NADA. 


Nesse fim de semana vi inúmeros influencers, se manterem calados, não se enganem, ficar calado é tomar um posicionamento claro. O Instagram, claro, não reflete o mundo real, enquanto as tensões cresceram absurdamente no Twitter com os protestos nos EUA no Brasil, junto à divulgação dos vídeos do Anonymous, o TikTok bloqueou a tag #BlackLivesMatter e o público geral do LinkedIn mais uma vez se manteve quieto, como se o único problema que estivéssemos enfrentando agora fosse a epidemia . 


Se você leu isso até aqui e sente que eu estou dizendo que suas “conquistas” não são válidas, veja bem, ISSO NÃO É SOBRE VOCÊ e você faz sim parte do problema.





É destruidor enxergar como a classe teoricamente politizada nessa hora se cala por medo de se posicionar, medo de perder os aliados, mas você quer mesmo se sentar do lado de quem apoia toda essa merda? 


Eu gosto muito daquele ditado que diz: Se há dez pessoas numa mesa, um nazista chega e se senta, e nenhuma pessoa se levanta, então existem onze nazistas... 

Não adianta passar o ano escrevendo textão de diversidade e inclusão em rede social e no final não fazer nada, quem está na rede tem voz e quem não está? 

Ser politizado é diferente de fazer política, e aqui eu só vejo gente escrevendo coisas bonitas pra pra agradar. 


Já vi inúmeras pessoas dizendo ‘isso aqui não é Facebook’ como argumento ao questionamento da situação política do país, mas vejam bem, né, do que adianta discutir isolamento social e boas práticas de homeoffice enquanto tem gente ainda tendo que se provar digno de existir. 


Não temos um estado responsável, a elite do atraso não carrega um pingo de consciência social e depois perguntam porque as pessoas se revoltam: ELAS PRECISAM SER OUVIDAS. 

Outro dia tive que sentar aqui e ler a história de um filho de deus que ganhou uma agência de um amigo com 20 clientes e assim finalmente se libertou das amarras do mercado e alcançou seu estimado sucesso, faça-me o favor! Se você não acha isso patético, não se obrigue a continuar lendo esse texto. 


Já que vocês gostam de debater tanto sobre vocês e sobre suas histórias porque não se perguntam o motivo de estarem calados agora: NAO SEJAM CONIVENTES e caso se posicione não se sintam melhores por não fazer mais que sua obrigação. 


Está em casa quer ajudar e não sabe como? Cobre dos governantes, do seu chefe, da sua família que sejam melhores, seja anti-racista, apoie, acompanhe projetos e grupos, doe seu tempo, seu ouvido, sua voz, seu dinheiro, ou que você quiser, se mexa. 

É aquela coisa, se você não está PUTO você está mal informado. 

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