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  • Ana Luiza de Lima

Dos gabinetes de curiosidade ao Cubo Branco

Atualizado: Ago 17

Na Idade Média a arte era apenas mais um acessório para as classes abastadas, longe do público geral, os objetos de arte não eram utilizados com intuito de educação ou exposição histórica mas sim de manutenção de status, ou seja, eles habitavam as casas e palácios de personalidades para reafirmar seu poder através da qualidade das obras expostas.


O público geral nesse momento tinha pouco ou nenhum contato com arte, e este, quando ocorria, era exclusivamente em lugares de adoração.


Para aqueles que não sabem o período da Idade Média teve fim no século 15, logo após esse tempo de escuridão, por assim dizer, começou a época conhecida hoje como Renascimento,

onde muitos aristocratas e artistas buscaram expandir seu conhecimento sobre a vida na Terra, isso fez com que pessoas começassem a colecionar diversos itens, que iam desde elementos históricos, biológicos, geológicos, entre outros.


Os gabinetes de curiosidade - também conhecidos como Wunderkummer - eram coleções feitas por personalidades chamadas por Hans Ulbrisch Obrist de onívoros, ou seja, pessoas com multiplos interesses, como o famoso Leonardo da Vinci, por exemplo.



Os Wunderkammer foram em certa forma os precursores dos museus, Athanasius Kircher, foi um grande colecionador do século XVII que deu início à mescla entre as esferas pública e privada no tocante da relação entre público com o conhecimento. Nesse sentido, Kircher alterou as dinâmicas dos gabinetes, convidando o público a conhecer e interagir os artefatos que colecionava e contando sua história conforme os visitantes se locomoviam pelo gabinete.



Vários gabinetes de coleção deram início a grandes museus, como por exemplo, o British Museum, fundado em 1753 a partir da coleção de Hans Sloane.


Ainda no século 17 vimos a mudança da relação do público com a arte, ao sair da casa dos aristocratas obras de arte começaram a ocupar espaços públicos, no ano de 1648 deu-se início à tradição de Salons na França, que eram nada mais do que exposições patrocinadas pelo governo com intuito de difundir a arte.


Apesar de ainda muito restrito quando pensamos em artistas que tinham a condição de expor, os salons foram a oficialização desse espaço expositivo aberto ao público. Para participar dos Salons em Paris os artistas precisavam se encaixar em diversas categorias que acabavam deixando de fora produções muito marcantes, falaremos sobre isso a frente.


Você já deve ter visto as fotos das exposições antigas que mostram milhares de quadros pendurados lado a lado com enormes molduras douradas, até aqui a ideia era expor o máximo de pinturas, não havia um storyline definido. O formato de desenvolver uma exposição que seguisse uma lógica de evolução histórica contando com a caminhada do visitante se desenvolveu no século XVIII.



Ainda pensando no quesito público e privado em se tratando do acesso a arte, bem como no papel do Estado em promover essa conexão sabemos que o Louvre nasceu em 1793 e logo em seguida, por assim dizer, Goustave Courbet (famoso pintor Realista) deu início a uma nova era ao fundar o famoso Salon des Refusés - Salão dos Recusados.


Como a presença nos Salóns franceses era complexa e cheia de requerimentos, Courbet deu início a um movimento que ajudou a libertar as artes da mão do Estado, e foi acompanhado por outros grandes nomes como Manet, Pissaro, aqui vemos o florescimento dos movimentos de vanguarda.



Voltando a nossa jornada em direção ao White Cube, com o desenvolvimento de novas vanguardas, pensando aqui em estilos completamente diferente de tudo consumido até então, novas formas de consumir continuaram a surgir. As pinturas passaram a ser arranjadas de formas diferentes e estilos de storyline começaram a surgir, afim de mostrar maior distinção entre as obras elas começaram a ser expostas separadamente, trazendo a atenção do expectador a cada uma individualmente.


A busca por distinção e o foco na própria obra de arte tirou toda a atenção do espaço, que começou a se tornar mais simples, por ter uma característica única de plano de fundo. Em 1960, William C. Blake removeu as molduras de Monets para uma exposição no MoMA. Aqui foi onde a galeria passou a ser o unico enquadramento da obra de arte, o que conhecemos como o White Cube.


A partir daqui, claro, houveram novas revoluções no espaço expositivo, quando artistas extrapolaram e saíram das telas, mas essa conversa será explorada outra hora.


Quer pesquisar um pouco mais sobre o WHITE CUBE? Conheça a obra de Brian O'Doherty, clicando aqui.


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